Poucos temas em endocrinologia geram tanta desinformação quanto a reposição hormonal. Entre mensagens de grupos de família e conteúdos sem embasamento nas redes sociais, é comum chegar ao consultório com ideias que não correspondem ao que a ciência mostra hoje. Vamos separar alguns dos mitos mais comuns.
Mito: "Reposição hormonal sempre engorda"
Verdade parcial. O ganho de peso na perimenopausa e andropausa acontece principalmente pela desaceleração natural do metabolismo e pela queda hormonal em si — não necessariamente pelo tratamento. Em muitos casos, a reposição bem indicada ajuda a preservar massa muscular e a reduzir o acúmulo de gordura abdominal, quando combinada a hábitos saudáveis.
Mito: "É só para mulheres na menopausa"
Falso. Homens também passam por uma queda progressiva de testosterona com a idade — processo conhecido como andropausa — que pode gerar cansaço, perda de massa muscular, queda de libido e alterações de humor. A reposição de testosterona, quando indicada por exames e avaliação clínica, é uma opção de tratamento reconhecida.
Mito: "Reposição hormonal causa câncer"
Essa é uma preocupação legítima, mas simplificada demais. O risco associado à reposição hormonal varia conforme o tipo de hormônio, a via de administração, a dose, o tempo de uso e o histórico de saúde individual — incluindo histórico familiar. É exatamente por isso que a decisão de iniciar ou não o tratamento deve ser feita com um especialista, que avalia o perfil de risco de cada pessoa antes de prescrever.
Uma avaliação individual, com histórico clínico e exames, é o único jeito confiável de saber se o tratamento é indicado e qual a forma mais segura de conduzi-lo.
Agendar consulta com a Dra. Danielle CidralVerdade: existe acompanhamento contínuo
Diferente do que muitos pensam, iniciar reposição hormonal não é "tomar e esquecer". O acompanhamento envolve exames periódicos para ajustar doses, monitorar efeitos e garantir que o tratamento continua trazendo mais benefício do que risco ao longo do tempo.
Verdade: nem todo sintoma precisa de hormônio
Existem alternativas não hormonais para alguns sintomas da menopausa e da andropausa, e em muitos casos mudanças de estilo de vida — sono, alimentação, atividade física — já trazem melhora significativa antes mesmo de se considerar reposição. Um bom acompanhamento avalia o quadro como um todo, não só isoladamente.